sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O Cangaço, texto de Simone Lessa - Fotos Digitalizadas por Rubens Antônio



Entre o final do século XIX e começo do XX, surgiu, no nordeste brasileiro, grupos de homens armados conhecidos como cangaceiros. Estes grupos apareceram em função, principalmente, das péssimas condições sociais da região nordestina. O latifúndio, que concentrava terra e renda nas mãos dos fazendeiros, deixava as margens da sociedade a maioria da população. 

Portanto, podemos entender o cangaço como um fenômeno social, caracterizado por atitudes violentas por parte dos cangaceiros. Estes, que andavam em bandos armados, espalhavam o medo pelo sertão nordestino. Promoviam saques a fazendas, atacavam comboios e chegavam a sequestrar fazendeiros para obtenção de resgates. Aqueles que respeitavam e acatavam as ordens dos cangaceiros não sofriam, pelo contrário, eram muitas vezes ajudados. Esta atitude, fez com que os cangaceiros fossem respeitados e até mesmo admirados por parte da população da época.

Os cangaceiros não moravam em locais fixos. Possuíam uma vida nômade, ou seja, viviam em movimento, indo de uma cidade para outra. Ao chegarem nas cidades pediam recursos e ajuda aos moradores locais. Aos que se recusavam a ajudar o bando, sobrava a violência.

Como não seguiam as leis estabelecidas pelo governo, eram perseguidos constantemente pelos policiais. Usavam roupas e chapéus de couro para protegerem os corpos, durante as fugas, da vegetação cheia de espinhos da caatinga. Além desse recurso da vestimenta, usavam todos os conhecimentos que possuíam sobre o território nordestino para fugirem ou obterem esconderijos. 

Perguntando ao pessoal que faz parte do grupo Lampião, Cangaço e Nordeste, no site do facebook, o estudioso no assunto, Sr.Jorge Remígio, assim informou sobre a quantidade de bandos no Cangaço " realmente é difícil delimitar uma data exata para o surgimento de um fenômeno de banditismo tão característico como foi o cangaço. Ao atribuir a década de 1870 como um marco, é justamente pelo surgimento e atuação de vários bandos armados no sertão de alguns estados do nordeste. Vale ressaltar que a região não tinha essa nomenclatura atual. Em 1870 surgem grupos como os Viriatos, os Quirinos, os Meireles, Adolfo Meia Noite, João Calango ou Calangro, Jesuíno Brilhante e outros de menor expressão, atuando como cangaceiros e sendo classificados na época com essa terminologia. O Cabeleira atuou na Zona da Mata pernambucana entre 1773 a 1786, cem anos anterior a década que me referi acima. Porém, no meu entendimento não considero o Cabeleira um cangaceiro. Embora muitos escritores assim o vejam. Essa classificação nem utilizada era para o banditismo que este executava. Ele para mim foi um salteador. No cangaço, mesmo sem me aportar ao "período clássico" do fenômeno, é necessário que haja valores e componentes inerentes à essa modalidade criminosa. Não enxergo cangaço sem a promiscuidade com o sistema coronelístico. Todo cangaço tem a sua proteção. Senão sucumbi antes mesmo de nascer. O Lucas da Feira que agiu entre os anos de 1828 e 1848, escravo fugido do recôncavo baiano, também recebe a classificação de cangaceiro por muitos autores. Entendo também que não era cangaceiro.Salteador e estuprador de mulheres brancas,sim. Como o grupo é um fórum de debates, o pensamento uniforme é quase impossível"
O mais conhecido e temido da época foi o comandado por Lampião (Virgulino Ferreira da Silva), também conhecido pelo apelido de “Rei do Cangaço”. O bando de Lampião atuou pelo sertão nordestino durante as décadas de 1920 e 1930. Morreu numa emboscada armada por uma volante, junto com a mulher Maria Bonita e outros cangaceiros, em 29 de julho de 1938. Tiveram suas cabeças decepadas e expostas em locais públicos, pois o governo queria assustar e desestimular esta prática na região.

Depois do fim do bando de Lampião, os outros grupos de cangaceiros, já enfraquecidos, foram se desarticulando até terminarem de vez ,no final da década de 1930.

       Simone Lessa














































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