terça-feira, 19 de março de 2019

Estou apaixonada por Aracaju... Parte I



É o menor Estado do Brasil, isso é verdade, mas não perde para quase nenhum em belezas naturais. Aliás, Deus foi muito generoso com o Nordeste, quando o criou...que gente linda, sorridente, que matas belas, que rios caudalosos, e que mar!!!
O nosso blog não é de viagens, muito menos de turismo, mas temos em Aracaju uma gama imensa de cultura e curiosidades geográficas, adornos belíssimos de artesanato, e a gastronomia, que nada mais é, que a típica mostra dos sabores da miscigenação dos índios Tupinambás, dos portugueses e dos africanos.
A paixão por Aracaju começou quando passando pela Av. Beira Mar, avistei o Parque dos Cajueiros e logo atrás, o Rio Sergipe na sua grandiosidade. Não tinha como não me apaixonar...
Aracaju é a cidade dos cajueiros...são muitos: nas praças, nas alamedas, à beira mar, nas calçadas, nas portas das escolas...
De repente, você se dá conta da maior característica da cidade: a limpeza! Parece que todo mundo anda com uma lixeirinha. Incrível!! 
A brisa é diferente...tem um ar agridoce. Deve ser pelas influências dos rios, afinal são quatro muito presentes: Poxim, Sergipe, do Sal e o Vaza Barris. 
Para os passeios locais, não esqueça o Parque da Cidade, o Museu da Gente Sergipana, o Mercado Central, a Passarela do Caranguejo,a Praia de Atalaia, o Projeto Tamar, o Oceanário e as lindas e conservadas Praças.

Passarela dos Caranguejos

Ponte Construtor  João Alves, que liga Aracaju a Barra dos Coqueiros

Infinitas possibilidades de cores e gostos no Mercado Municipal

Outro ângulo da Ponte  Construtor  João Alves


Brincos confeccionados com Renda Irlandesa (artesanato exclusivo de Sergipe) - Mercado Antônio Franco



Nosso Guia de Turismo: Sr. Marcos Venicio
 http://veniciusturismo.blogspot.com/
Contatos: 79 999 743 118( VIVO/WhatsApp)
 991 322 578 (TIM)




segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Calçamento com pés de moleque? Por Conheça Minas





Calçamento com pés de moleque?
As ruas de nossas cidades antigamente eram calçadas com pedras brutas. Esse calçamento recebeu o nome de "Pé de Moleque".
Esse tipo de calçamento era comum na Europa nos tempos antigos e foi introduzido pelos Portugueses no tempo do Brasil Colônia. As pedras vinham de Portugal, em navios e as ruas das cidades litorâneas como Rio de Janeiro, Paraty, Salvador, Porto Seguro, Santos, etc., receberam esse tipo de pavimentação. Chegavam em navios e eram levadas paras os seus destinos em carros de bois.
O ouro de Minas Gerais seguia para o porto de Paraty/RJ em carruagens, mulas, burros e em sua maioria, em carros de bois. Deixavam o ouro e traziam pedras para calçamento, na volta. As ruas de Paraty/RJ foram quase todas calçadas com essas pedras vindas de Portugal.
Como as cidades e vilas mineiras eram muito distantes para transportar tantas pedras, optaram por calçar as suas ruas com as pedras existentes nas regiões próximas às mesmas, que existiam em abundância, em beiras de rios, por exemplo. Na região de Ouro Preto, a pedra sabão era a mais comum e foi a mais usada nos calçamentos das ruas da cidade. O corte das pedras era totalmente rústico, feito a base da picareta, pelos escravos e em boa parte, nem eram cortadas, eram colocadas nas ruas da forma que eram retiradas.
Os trabalhos de calçamentos eram orientados por mestres pedreiros e executados pelos escravos e também por presos das cadeias próximas, que eram obrigados a trabalhar de graça, sob forte vigilância e acorrentados pelos pés. Eles preparavam a rua na enxada e iam postando pedra por pedra, uma ao lado da outra.
Os filhos desses escravos, que eram costumeiramente chamados de "moleques" iam em seguida esparramando terra arenosa e acertando as pedras com os pés. Não eram pedras uniformes e nem certinhas, porém o calçamento ficava bom, evitava o barro nos tempos de chuva e poeira na estiagem.
É por isso que esse tipo de calçamento se chama "Pé de moleque" embora muita gente diga que o nome é porque essas pedras lembram muito a cor do famoso doce de amendoim que conhecemos, o pé de moleque. Mas a que tudo indica, o surgimento desse doce é bem posterior ao surgimento do nome desse tipo de calçamento, portanto, não faz sentido associar a pedra ao doce, até porque moleque, sempre era usado para chamar os filhos dos escravos.
No final do século XIX, já no fim do Brasil Imperial, as cidades começaram uma era de modernização e urbanização que acompanhava o desenvolvimento das cidades Europeias, buscando melhorar a vida de seus habitantes.
Com essa visão de modernizar as cidades, os calçamentos em pés de moleques começaram a ser retirados e colocados no lugar paralelepípedos, que são pedras bem trabalhadas, mais certinhas, que evitavam os constantes tropeços que o calçamento em pés de moleques causava e por dar um visual mais bonito às ruas, já que eram lisas e uniformes.
E assim foi na maioria das cidades históricas mineiras e do Brasil também. Poucas ruas de nossas cidades históricas mantiveram o calçamento original, sendo substituídos pelos paralelepípedos do final do século XIX.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2018

De pedreiro a Uber: o malabarismo para viver com os salários do magistério, por Mônica Manir


"Minha filha, aqui a gente dá uns pulos.” Assim, Cícero Ferreira de Lima assume seu malabarismo para fechar as contas do mês sendo professor de Educação Física na EE Alberto Caldeira, em Farias, distrito de Guanhães (MG).
Quando não está dando aula, ele assenta pisos de cerâmica, chapisca paredes e dá o acabamento com reboco em casas da cidade. Apareceu um problema com a bomba hidráulica ou o chuveiro encrencou? Lá está Cícero. O professor também faz corridas com seu Corsa até Guanhães, a 45 quilômetros por estrada de terra, levando e trazendo seus conterrâneos. Cobra 100 reais pelo trajeto total. “Falar pra você que compensa esse valor, compensa não”, diz. “Aqui a gasolina é cara, a estrada de chão não presta, faço mais para ajudar quem precisa.” ​
O guanhanense fala como se necessitado não fosse. Mas, aos 40 anos, tem apenas um cargo como contratado. São 17 aulas por semana, pelas quais ganha 1,6 mil reais. Professor há quase uma década, ele afirma que, financeiramente, seria melhor se concentrar na função de pedreiro, ofício que aprendeu do pai. “Mas eu adoro estar com os meninos na escola, é a melhor coisa que existe”, afirma.
A mulher, Danúbia da Costa Teixeira, 34 anos, leciona na mesma instituição, mas como concursada, e nos períodos da manhã e da noite. Suas aulas de português lhe rendem 2 mil reais, que são pagos em três parcelas ao longo do mês —​prática exercida por Minas Gerais desde 2016 para remunerar os servidores públicos. ​
Acontece que a soma salarial dos dois professores não garante o sustento do casal nem dos filhos, de 11 e 4 anos. Então, quando aparece, Danúbia faz palestra para o Sebrae sobre a importância da argumentação para aumentar as vendas, pelas quais recebe em média 150 reais. Também corrige redações do Enem e presta assessoria em trabalhos de conclusão de curso.
De olho numa melhor formação, ela faz doutorado em Linguística Teórico-Descritiva na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), em Belo Horizonte. Como o governo cortou as bolsas da Capes, Danúbia vende bananas verdes fritas na faculdade para custear a viagem e aceita a guarida dos professores para dormir na casa deles, na capital. “Quase todo colega meu da escola pública faz alguma coisa por fora, vende cosméticos, lingerie, dá aula particular de violão ou de pintura”, lembra a mineira. ​
A jornada do casal reflete o jeito que os educadores brasileiros encontram para sobreviver aos contratos precários e à baixa remuneração da profissão. Para José Marcelino de Rezende Pinto, professor da Universidade de São Paulo (USP) com experiência em política e gestão educacional, o problema remonta, na verdade, ao século 19.
De fato, em 1891, o médico, jornalista e historiador José Ricardo Pires de Almeida já denunciava “a função mal remunerada que não encontra na opinião pública a consideração a que tem direito muito mais que as outras”. O professor, nas palavras de Almeida, substituía em certa medida o pai e a mãe de família, inaptos para cumprir completamente seu dever social. Deveria ganhar mais, portanto. ​
A questão, porém, não se resolveu. “Vivemos uma crise crônica de remuneração”, afirma Rezende. Àqueles que desejam puxar o debate para mais perto, o sociólogo Ricardo Antunes, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), aponta o período da ditadura militar como um divisor de águas. “A ditadura, no seu conjunto, tinha a ideia de incentivar as escolas privadas, o que debilitou as chamadas escolas de aplicação, que ensaiavam um projeto público mais qualitativo”, afirma. Segundo Antunes, os governos que se sucederam, já no período democrático, não enfatizaram uma política de recuperação do que se perdeu em termos de excelência. ​

ASSENTANDO O PISO

Se há conquistas a apontar é a Lei nº 11.738, de 2008, que instituiu o Piso Salarial Profissional Nacional e estipulou um valor abaixo do qual nenhum professor deve receber. Em 2009, ele era de 950 reais; hoje, para uma jornada de 40 horas por semana, perfaz brutos 2.455 reais.
“Mas atualmente apenas 66% dos municípios cumprem o piso e somente 14 estados remuneram o mínimo previsto em lei”, diz Anna Helena Altenfelder, presidente do Conselho de Administração do Centro de Estudos e Pesquisas em Educação, Cultura e Ação Comunitária (Cenpec).
Ela explica que muitas cidades de pequeno porte têm dificuldade de arrecadação, um dos motivos para não pagar o valor determinado para o início da carreira. Já nos grandes centros urbanos o desafio é outro: em geral, cumpre-se o piso, mas ele está muito aquém de atender a condições de vida diante dos custos elevados com moradia, transporte, alimentação e acesso à cultura. Anna frisa que é preciso garantir a valorização gradual dos salários e a incorporação das gratificações, que, segundo ela, são muitas vezes utilizadas para não aumentar o salário-base. ​
O professor de Matemática e Física Alexandre Gonçalo Santana, 47 anos, mora no Rio de Janeiro, segunda maior cidade do país e capital de um estado cuja calamidade financeira está diretamente relacionada com a precariedade do professorado. Dono de apenas uma matrícula, Santana conseguia se manter por meio das horas extras que fazia. “Eu fazia dobra nas escolas, tinha isso como um salário que compreendia todos os meus custos, até alguns passeios”, lembra. Mas, há um ano, ele perdeu essas horas extras —que não são incorporadas ao salário na aposentadoria— e não conseguiu mais pagar suas despesas com a remuneração de docente no CIEP 230 Manoel Malaquias Gurgel da Silva, em Nilópolis.
Seus olhos se voltaram para o Uber. Alexandre vendeu o carro e comprou outro adaptado para gás, combustível mais econômico. Hoje ele roda no contraturno das três aulas semanais e não descansa nos fins de semana. Acrescentou cerca de 2 mil reais das corridas ao salário de 4 mil reais, além de 600 reais por mês com as três aulas por semana que dá a presos do Complexo de Bangu.
Estudo do Todos pela Educação mostra que 29% dos 2 mil entrevistados têm ocupações extras para complementar a renda. Desses, 9% focam em atividades educacionais, como Danúbia, 5% se voltam ao comércio, como os colegas de Danúbia, e 3% prestam serviços, como Cícero e Alexandre.
A baixa remuneração docente impacta também na escolha que os jovens mais bem preparados fazem para entrar na carreira. “A atratividade nunca foi tão baixa se comparada a outras profissões”, diz Andreza Barbosa, professora da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep). Ela realizou em 2018 uma pesquisa com professores da rede pública que atuam na região de Piracicaba, no interior paulista, onde o Índice de Desenvolvimento Humano é alto. Dos 464 professores entrevistados, 15% possuíam outra fonte de renda.

“Os estudantes têm optado por carreiras que gozam de maior prestígio e valorização social e financeira”, afirma. Andreza reconhece a heterogeneidade dessa situação. Ela lembra que há estados em que o problema é menor, e por vezes dentro do próprio estado há discrepâncias consideráveis entre os municípios.
O professor de Educação Infantil Evandro Tortora, 30 anos, não demorou a perceber esse cenário. Em 2014, na sua cidade natal de Pederneiras (SP), ele ganhava 1,5 mil reais por 32 horas semanais. Cerca de 230 quilômetros adiante, em Campinas, passou a receber pela mesma jornada 4.900 reais (somado o vale alimentação) depois que passou a atuar no CEI Dr. Claudio de Souza Novaes.
“Aqui a gente não precisa dobrar período e somos remunerados para fazer cursos de formação”, diz, já instalado em um apartamento alugado, onde mora sozinho. O salário lhe permite bancar viagens à Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Bauru, onde faz doutorado.​

EQUIPARAÇÃO DE SALÁRIOS​

O Relatório do 2º Ciclo de Monitoramento das Metas do Plano Nacional de Educação (PNE) 2018, elaborado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), mostra uma queda na diferença no salário de professor e de outros profissionais de mesma escolaridade. De 65% em 2012 foi para 75% em 2017. Ou seja: era 35% menor, e agora seria 25% inferior. “Isso não significa que houve melhora efetiva na remuneração docente, mas, sim, que a queda nas demais profissões foi maior nesse meio tempo”, afirma Rezende.
O PNE estabelece na meta 17 a necessidade de equiparar a remuneração docente com a de outros profissionais dos quais também se exige formação em nível superior. A meta tem uma data que deveria ser atingida até 2020, ao final do sexto ano de vigência do plano. Para chegar a esse patamar de equiparação, especialistas em educação pedem quase em uníssono que se revogue a PEC 241
Aprovada em 2016, ela estabelece um limite do governo federal para gastos primários (aqueles com saúde, educação, assistência social, cultura etc.). A fórmula passa a valer a partir de 2018 e vai até 2026.
Quem não respeitar o teto ficará impedido de, no ano seguinte, dar aumento salarial, contratar pessoal e estabelecer novas despesas. “Essa PEC impossibilita que os recursos e os salários sejam de maior monta e que ocorra uma efetiva reestruturação do setor público”, diz o sociólogo Ricardo Antunes, da Unicamp. Para ele, seria preciso cortar em áreas “irrelevantes” do serviço público e reorganizar completamente esse orçamento, sob risco de daqui a uma década a situação da escola pública estar ainda mais precarizada.

Fora do alcance da PEC 241, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) é apontado como um ganho, que dirime as desigualdades. O fundo reúne a arrecadação de impostos municipais e estaduais —mais uma complementação da União— e distribui para os estados mais pobres. O modelo vence em 2020 e dois projetos correm no Congresso com sugestões de mudanças, um deles propondo que 70% da soma seja usada para pagar profissionais da Educação —hoje, 60% vai para salários apenas de professores.

PARA AS MULHERES, MENOS AINDA

A dedicação ao magistério é predominantemente feminina —80% dos profissionais são mulheres—, e esse é outro ponto a ser levado em conta quando se fala de remuneração. Embora no sistema público haja uma equiparação salarial entre os dois sexos, mais mulheres atuam na educação infantil e nos anos iniciais do Fundamental, etapas que pior remuneram.
“As sociedades machistas, ao ver como suplementar o papel das mulheres, fortalecem a redução e o achatamento salarial, e isso é evidente na rede de ensino”, afirma Antunes. Para ele, o professor vem sendo destruído naquele que era seu atributo maior: a qualidade intelectual e a formação. “Quando a criança em condição de precariedade encontra um professor mal preparado e desmotivado, trabalhando em ambientes depauperados, isso tem consequências profundas, entre elas a incapacidade de criar um ensino livre, universal, laico e humanista”, afirma.

Mesmo com dupla, tripla, às vezes quádrupla jornada, Danúbia da Costa Teixeira não se vê fora da sala de aula, assim como seus dois irmãos, também professores. Isso não a impede de voltar à carga contra a situação adversa do magistério no país.

sexta-feira, 30 de novembro de 2018

Colégio Irmã Dulce System realiza Projeto "Contos por todos os Cantos"



Numa época em que saber ler e escrever bem,é sinônimo de sabedoria; o incentivo à leitura dos clássicos, a representação e suas interpretações, cada projeto dentro e fora da escola, é uma semente que se transformará numa árvore frondosa.
Não podemos esquecer que já foi provado cientificamente, que se aprende mais vivenciando o que lemos; então, o nosso blog não poderia deixar de ressaltar o trabalho maravilhoso do Colégio Irmã Dulce System, no bairro da Ponta Verde, em Maceió: Projeto Conto por todos os Cantos!
Com o intuito de despertar o prazer pela leitura, e aguçar o potencial cognitivo e criativo de seus alunos, desenvolver o vocabulário; favorecendo a estabilização de formas ortográficas; ofereceram acesso aos diversos tipos de leitura, na escola e em família, buscou efetivar o processo de leitura e escrita. 
Foi desenvolvido durante todo o ano de 2018, com as turmas da Educação Infantil e Fundamental I, desta forma:
Dia 28 - Desfile pela ruas do bairro, com a presença dos alunos envolvidos, pais, professores e direção. Apoio da Fanfara Campos Teixeira, que abrilhantou ainda mais o evento.
Dia 29 - Exposição em sala de aula, durante todo o dia.
Que outras escolas tenham no Colégio Irmã Dulce System, um exemplo a ser seguido, como incentivo aos nossos alunos na leitura, cultura e aprendizado para a vida.
Parabéns, a direção de Hidel Oliveira e equipe, pelo evento.

Hidel Oliveira - Diretora Geral do Colégio Irmã Dulce System Maceió/AL

Livros Infantis que são Clássicos Mundiais




A Turminha do João e Maria

A Turminha da Pequena Sereia


A Turminha do Patinho Feio

Fanfarra Campos Teixeira



A Turminha do Peter Pan




A Turminha dos Três Porquinhos


A Turminha da Cinderela


segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Artesão dibla obstáculos com livros sensoriais, Wanessa Oliveira- Portal WebGazeta de Alagoas






Pode mexer em tudo. Dá para pescar peixinhos, fazer as horas passarem, brincar com dedoches e dormir com ele, como um travesseiro. Foram as infinitas possibilidades de um livro sensorial que atraíram a artesã Viviane Rodrigues a desenvolver essas obras-primas utilizando materiais como feltro, fitilhos, velcro e botões. O resultado deixa crianças de várias idades encantadas e entretidas por um bom tempo. 
Embora tenha iniciado há pouco mais de um ano a produzir os livros, Viviane relata toda uma trajetória de aproximação com a arte, a cultura, e a costura. Com a mãe costureira autônoma, não foi difícil começar a aprender e trabalhar com linhas e máquinas. Aprendeu e trabalhou, ao longo do tempo, com crochê, trabalhos rústicos, com corda, sisal, santa maria. Na hora de entrar na faculdade, escolheu Relações Públicas. 
Foram nos momentos mais difíceis que a criatividade aparecia enquanto instrumento de sobrevivência, mesmo. Quando as contas apertavam no bolso, corria para o artesanato como uma forma de receber dinheiro. 
"Engravidei aos 22 anos e era complicado conseguir trabalho formal. Então eu fazia crochê e meu marido, na época, vendia", conta. "No último ano da faculdade , meu orientador do TCC morreu, separei, fiquei desempregada, voltei para a casa da minha mãe. Nesse mesmo tempo, minha mãe ganhou vários tecidos, então comecei a fazer umas bolsas com alça móvel e consegui vender bastante, com ajuda de cinco vendedoras que ficavam com uma comissão, daí pude pagar a formatura". 
Em 2014, ao participar da Feira Afro, com um estande, criou o Magrela Ateliê, onde passava a vender turbantes, calças. Fazia a propaganda nas redes sociais, transformando o quintal de casa em um estúdio para fotografar seus produtos. Fez ecobags, bolsas, roupas. 
Mas e os livros?
Começaram apenas neste ano de 2018, após várias idas e vindas nas artes e no artesanato. Uma amiga, por acaso, perguntou se Vivi faria um livro sensorial para sua filha. Enviou link de um blog e jogou o desafio: "quero que você crie algo próprio", relembra.  Após duas semanas só fazendo pesquisas, lendo, e vendo vídeos, a artesã foi delineando o projeto.
"Não sabia quantas páginas colocar, quais atividades, de que modo seria a obra. Tinha que ver como seria a capa, a costura para ficar firme, e eu não queria fazer igual ao de ninguém. Vi livros sensoriais da Ucrânia com uma riqueza de detalhes", relembra. "Foi então que decidi que faria 10 atividades no livro". 
Bonecas para vestir, comidas saudáveis para colocar no prato e brincar de comer, mãozinha com numerais, capa fofinha para criança dormir, dedoches. A Morena Flor, filha dessa minha amiga, foi  primeira criança a receber o livro. 
Em meio ao amadurecimento da técnica, Vivi tinha que enfrentar outra questão: como vender. Contou com a ajuda de vídeo e das redes sociais para propagandear suas artes. "O primeiro vídeo que fiz foi mais longo, mas depois comecei a fazer mais curtos, aparecendo apenas minhas mãos manuseando o livro com as atividades".
Arte, artesanato e rendimento
De abril até agora, foram mais de 20 livros produzidos, com uma singularidade: todos diferentes e personalizados segundo os gostos das crianças. Outra característica que atrai os livros sensoriais é a acessibilidade. 
"Para crianças com deficiência visual, os livros são interessantes porque elas podem identificar os objetos tocando, sentir suas formas. Ele também é todo molinho, e não tem papel para engolir ou rasgar. As crianças podem fazer o que quiser com ele, dá para futucar em tudo", garante. "Além do mais, eles são grandes. E crianças pequenas gostam de coisas grandes, e cheios de cores". 
Apesar da experiência cada vez mais aprimorada, Vivi conta que cada livro é uma novidade. "Uma menina gostava de animais do sertão, como calango, catenga. Nunca tinha visto alguns desses animais na vida. Procurei eles em artesanato na internet e não encontrei. Então tive que olhar os animais reais na internet e produzir um próprio de feltro", rememora. "Me angustio no início e me orgulho no final". 
Seu desafio atual é um livro para uma pessoa adulta. "É uma professora museóloga aposentada, que está em Maceió e me pediu um livro sensorial interativo sobre Maceió, com feltro, e mostrando a cidade", relata. "Outra amiga pediu histórias bíblicas que fiquem mais fáceis para contar a crianças pequenas, e também com possibilidade de interagir". 
Segundo Vivi, um amigo chegou a lhe informar que, dada a singularidade de cada livro feito sob encomenda, o que ela faz é arte. "Como não há uma reprodução igual, cada um é diferente, ele diz que é arte e não artesanato. Para mim, tanto faz. Sempre gostei de criar". 
Apesar do sucesso com a criançada e com os adultos, Viviane Rodrigues conta que ainda não dá para viver dessa sua arte. "Se fosse para receber a renda necessária com esses livros, eu teria que fazer uma demanda bem maior, em uma produção bem mais acelerada, ou teria que aumentar o valor, mas por enquanto não posso", explica. 
Ao contabilizar o material e o tempo que levou para fazer os livros, Vivi ainda não vê um rendimento justo, mas espera que as coisas melhorem com o tempo. "Vi alguns livros sensoriais na internet para vender, até para ter uma noção de que preço poderia cobrar, mas todos eram padronizados. Como os que faço são personalizados, dá um trabalho bem maior. Ao mesmo tempo, sei que não posso vender por um preço que acho justo, porque as pessoas não terão como pagar e também porque ainda estão conhecendo. Então termina que faço mais barato mesmo", diz.