terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Meu avô viu Lampião em 1926



Tudo se passa em 1926, na Usina Ubaquinha, PE. Meu avó, Manoel Ferreira de Lima, era mestre-de-obra da usina, e naquele dia estava com uns dez ajudantes de pedreiro no barracão, comendo carne seca com pinga, umas 10h do dia, pra voltar ao batente. 
Estavam levantando a 2ª torre de chaminé da Usina Ubaquinha e depois iriam para Usina Trapiche. De repente, o bando de Lampião chegou dando tiros pra cima e fazendo barulho. Desceram dos cavalos, e foram entrando no barracão. Todos ficaram parados, com medo, pois sabiam da fama dos cangaceiros, apesar de até aquele dia, não tinham visto nenhum. Lampião disse em alto e bom som, com calma "ponha tudo que tiver de carne seca, farinha e latas nesse saco".. Olhando diretamente para Sr. Bilú, o encarregado do barracão. Perguntou ainda: "tem pinga, da boa? Olhe, só serve se for quente". Todos continuaram quietos. O dono do barracão se apressou e foi colocando tudo nos sacos. Enquanto isso, os homens foram dar água aos cavalos e foi ai que meu avó percebeu que num dos cavalos, tinha uma moça. Lampião foi até lá, e ajudou a moça a descer. Todos ficaram olhando. Ela veio com ele e Lampião disse: "Veja se tem alguma coisa pra você". Falando isso, ela pegou material de costura e bordado, colocou num saco de papel e subiu novamente no cavalo. Todos foram embora do mesmo jeito que apareceram: com barulho e dando tiros pra o alto. Meu avó me contou essa estória em 1977.
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