quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Dramatização na Sala de Aula, profº Vilmar Carvalho

Flagrante de dramatização feita
por alunos em sala de aula de História, escola estadual do RJ.


No final dos anos oitenta, professores de História que utilizavam recursos áudio-visuais, jornais e revistas, cinema e documentários em sala de aula formavam uma pequena minoria. Muitas escolas condenavam esses usos, considerando que seria uma forma de burlar as aulas, os conteúdos dos programas de ensino e "esperteza" do professor interessado em trabalhar "menos", fugindo de sua responsabilidade com o ensino meticuloso, cobrado pelos vestibulares como conteúdo indispensável para um aluno do então segundo grau. Reinava um tecnicismo do conteúdo, que condenava a emoção e o sentimento como mediadores da aprendizagem em sala de aula.

Ao longo dos anos noventa, sob três frentes distintas, tais usos condenados tornaram-se fonte de renovação das abordagens temáticas nas aulas de história: 1º. os avanços tecnológicos da informática e sua posterior popularização; 2º. a irradiação das análises da Nova História Cultural, esmigalhando as temáticas mais tradicionais das narrativas históricas; e 3º. as reformas da educação básica com a LDB de 1996, colocando nas competências e habilidades o foco central da formação docente, finalmente atingiu os currículos do ensino de História nas duas pontas do processo: na educação básica se admite os saberes e os uso tecnológicos como parte da produção e diversidade das aulas, e nos cursos de formação do futuro professor de História, compreende-se as novas linguagens e ferramentas do ensino e pesquisa em História, enquanto estratégia de superação da "decoreba" e daquele vício verborrágico de aulas auditórios, sem produção de saberes objetivamente planejados e negociados entre professores e alunos. Postura frontal ao tecnicismo dos conteúdos e daquela sua carapaça de insensibilidade e neutralidade, castradora da criatividade de professores e alunos.

Na última década, as posturas mais tradicionais foram secundarizadas e, hoje, um número maior de professores de História ganha com o planejamento das atividades de ensino-aprendizagem, levando em conta que as novas mídias da comunicação e informação não podem deixar de interagir com os conhecimentos de uma aula de História. Uma aula de História é um lugar de reflexão e mediação entre as narrativas e as práticas sociais, colocadas vis-a-vis entre o passado e o presente. Na maioria das vezes um fragmento, uma música, por exemplo, pode introduzir a emoção de estudar o tempo passado, a memória e seus preciosos sujeitos que viveram antes desse tempo presente.

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