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sábado, 24 de janeiro de 2015

Lendas sobre Lampião, o Rei do Cangaço

Conheça as seis principais lendas sobre Lampião

Histórias sobre cangaceiro ainda assustam os nordestinos.
Pesquisador conta quais foram os fatos que fizeram a fama de mau do rei do cangaço.
Glauco Araújodo G1, em Paulo Afonso (BA)
Globo Rural
Morte de Lampião completa 70 anos (Foto: Reprodução/TV Globo)
O medo provocado pela presença física ou até mesmo pelas histórias e lendas contadas sobre Lampião ainda persiste. O rei do cangaço morreu há 70 anos, na Grota de Angicos, em Poço Redondo (SE), durante uma emboscada montada pelos policiais. O cangaço terminou em 1940, mas mesmo assim as pessoas, principalmente no Nordeste do país, sentem desespero quando se fala em Lampião.

Acompanhe o blog do G1 no cangaço 

G1 conversou com João Souza Lima, considerado um dos principais historiadores do cangaço. Ele vive em Paulo Afonso (BA), onde há décadas vem levantando informações sobre a biografia do principal casal de cangaceiros: Maria Bonita e Lampião. É ele quem revela os seis principais mitos e lendas que percorreram vários estados do país e que ainda persistem.
       
 Testículos na gaveta
Segundo Lima, uma dessas lendas revelava que um sujeito estava cometendo incesto e foi flagrado por Lampião. O cangaceiro separou os dois irmãos e foi conversar com o rapaz. Ele falou para o homem que era para colocar os testículos na gaveta e fechar com chave. Lampião, então, colocou um punhal sobre o criado-mudo e disse: "Volto em dez minutos, se você ainda estiver aqui eu te mato". “A crueldade de Lampião estaria em fazer a tortura e obrigar o sujeito a cortar sua masculinidade para continuar vivo”, disse o historiador.
      
 Crianças no punhal
Em outra história lembrada pelo pesquisador, a população, com medo da fama de violento de Lampião, acreditava em todas as histórias sobre o cangaço. Uma delas foi criada com o objetivo de afugentar os sertanejos que ajudavam a esconder os cangaceiros, os conhecidos coiteiros. As volantes (polícia da época) espalharam que Lampião matava crianças com punhal. Segundo uma das histórias contadas pelos policiais, o cangaceiro jogava as crianças para o alto e as parava com um punhal.
    
 Lampião macaco
Jornal da Globo
Lampião deu origem a diversas lendas (Foto: Reprodução/TV Globo)
Outro relato que se espalhou conta a história de que Lampião só conseguia se esconder na mata durante as perseguições das volantes porque subia nas árvores e fugia pelos galhos das copas. Lima disse que isso foi publicado em um livro sobre o cangaço como se fosse verdade e muita gente ainda acredita nessa história, desmentida por ele e outros especialistas. “Quem conhece a caatinga sabe que na região onde Lampião passou e lutou não havia árvores com copas.”

 Você fuma?
Lima lembra de outro caso: Lampião teria sentido vontade de fumar e sentido o cheiro da fumaça de cigarro. Ele caminha um pouco e encontra um sujeito fumando. O cangaceiro vai até o homem e pergunta se ele fuma. O indivíduo vira para olhar quem conversava com ele e, assustado por ver que era Lampião, responde com medo: "Fumo, mas se quiser eu paro agora mesmo!".
         
 História do sal
Foto: Divulgação
Lendas sobre Lampião fazem parte da cultura de diversos estados brasileiros (Foto: Divulgação)
Outra lenda contada nas rodas de amigos no Nordeste até hoje é a de que Lampião chegou à casa de uma senhora e pediu que ela fizesse comida para ele e para os cangaceiros. Ela cozinhou e, com medo da presença de Lampião em sua casa, esqueceu de colocar sal durante o preparo.

Um dos cangaceiros do grupo de Lampião reclamou que a comida estava sem gosto. O rei do cangaço, então, teria pedido um pacote de sal para a mulher. Ele despejou o sal na comida servida ao cangaceiro reclamante e o forçou a comer todo o prato. O integrante do grupo de Lampião teria morrido antes mesmo de terminar de comer.
   
 Lampião zagueiro
Para finalizar, Lima disse que, na década de 1960, uma empresa pesquisadora de petróleo no Raso da Catarina, em Paulo Afonso (BA), abriu uma pista de pouso para trazer os funcionários de outras regiões que iriam executar trabalhos de pesquisa. Vale salientar que não foi encontrado petróleo no local, apenas algumas reservas de gás. Na década de 1970, um estudioso do cangaço teria encontrado o campo de pesquisa parcialmente encoberto pelo mato e escreveu, em livro, que aquele seria um campo de futebol construído por Lampião. “O pesquisador ainda teria reportado, de maneira totalmente infundada, que o rei do cangaço teria atuado no time como zagueiro”, disse Lima.
   

Festa de Aniversário com tema Cangaço

Cangaço da {Maria Lindinha} – Valentina 1 ano

28maio

Maria Lindinha atira bem

Dela ninguém está a salvo

Ela mira como ninguém

E dispara flores no alvo

(trecho do cordel personalizado)
Nesse mundo virtual conhecemos pessoas que dá vontade de morar perto para manter mais contato, né?! A Fabiana é uma delas, cada e-mail que recebemos é uma explosão de carinho! Ela é uma decoradora super talentosa lá de Aracaju e de vez em quando aparece com temas inusitados para animar o nosso dia a dia.
O desafio dessa festa foi adaptar o tema Cangaço numa linguagem mais infantil para o primeiro aninho da Valentina. Nesse cangaço não tem Maria Bonita e sim uma Maria Lindinha que leva flores na cartucheira.
Dinoleta_MariaBonita_cordel
Dinoleta_Maria_cordel
Dinoleta_festa_mariabonitaDinoleta_MariaBonita_FabianaMolinadinoleta_ilustracao

“Só tenho uma coisa a dizer: está P-E-R-F-E-I-T-O!!!!!  Amei… está aprovadíssimo o desenho e a história =D  Beijos e muito obrigada!!!!!”

Natally – mamãe da Valentina
Nós é que agradecemos todo esse carinho, ficamos felizes com o resultado da festa, com o retorno e com a oportunidade de criar algo tão inusitado. E a festa foi destaque numa revista de circulação nacional, a Festa Viva, edição n.45, com uma matéria em quatro páginas mostrando toda a originalidade da festa dessa pequena cangaceira.revista_dinoleta_festaviva
E você, nesse cangaço
Foi atingido também
Pode, sem medo de rechaço
Atirar flores em alguém
E mesmo ainda constrangido
Tentando passar despercebido
Escutará o estampido:
Tiro de flores de “eu te quero bem”
De flores de “bem querer”
E de “só quero o seu bem”
Só sei que neste cangaço
Entre atingidos e atiradores
Não se salvará ninguém.
Fotografia: Martha Oliveira
Ilustração e Cordel: Dinoleta / Texto cordel: Taísa Siqueira
Decoração: Fabiana Molina (Tudo Magiclick – Aracaju-SE)
 
As imagens e textos deste post não podem ser reproduzidos sem prévia autorização e estão protegidos pela lei de Direitos Autorais.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O Cangaço em Itabaiana Grande, por Robério Santos


O professor, fotógrafo e membro da Academia Itabaianense de Letras (AIL/SE), está lançando seu 7º livro: O Cangaço em Itabaiana Grande, pela editora Infographics Gráfica e Editora, 2014. O livro está assim organizado:

terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Meu avô viu Lampião em 1926



Tudo se passa em 1926, na Usina Ubaquinha, PE. Meu avó, Manoel Ferreira de Lima, era mestre-de-obra da usina, e naquele dia estava com uns dez ajudantes de pedreiro no barracão, comendo carne seca com pinga, umas 10h do dia, pra voltar ao batente. 
Estavam levantando a 2ª torre de chaminé da Usina Ubaquinha e depois iriam para Usina Trapiche. De repente, o bando de Lampião chegou dando tiros pra cima e fazendo barulho. Desceram dos cavalos, e foram entrando no barracão. Todos ficaram parados, com medo, pois sabiam da fama dos cangaceiros, apesar de até aquele dia, não tinham visto nenhum. Lampião disse em alto e bom som, com calma "ponha tudo que tiver de carne seca, farinha e latas nesse saco".. Olhando diretamente para Sr. Bilú, o encarregado do barracão. Perguntou ainda: "tem pinga, da boa? Olhe, só serve se for quente". Todos continuaram quietos. O dono do barracão se apressou e foi colocando tudo nos sacos. Enquanto isso, os homens foram dar água aos cavalos e foi ai que meu avó percebeu que num dos cavalos, tinha uma moça. Lampião foi até lá, e ajudou a moça a descer. Todos ficaram olhando. Ela veio com ele e Lampião disse: "Veja se tem alguma coisa pra você". Falando isso, ela pegou material de costura e bordado, colocou num saco de papel e subiu novamente no cavalo. Todos foram embora do mesmo jeito que apareceram: com barulho e dando tiros pra o alto. Meu avó me contou essa estória em 1977.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Os nomes dos Cangaceiros


Na sua maioria os cangaceiros recebiam ou adotavam alcunhas ou apelidos, os chamados "nomes de guerra" que, de uma maneira geral, eram relacionados às suas características pessoais, habilidades ou fatos biográficos.
Existiam os que lembravam a vida de aventuras, marcas de crueldade, coragem, vingança (Jararaca, Besta Fera, Diabo Louro, Lasca Bomba, Pinga-Fogo), assim como os mais telúricos que lembravam elementos da natureza: Beija-Flor, Serra do Mar, Azulão, Asa Branca, Rouxinol, Lua Branca.
As alcunhas serviam para despistar e confundir inimigos e perseguidores. Alguns chefes de bandos do cangaço chegavam até a colocar nos novos companheiros apelidos de cangaceiros mortos em combate. Dessa forma, há muitos cangaceiros que receberam o mesmo nome duas, três e até quatro vezes, como é o caso de Azulão. O primeiro Azulão era integrante do bando de Antônio Silvino, o segundo do bando de Sinhô Pereira, o terceiro e o quarto pertenceram ao bando de Lampião.
Havia também os que não adotavam esse subterfúgio, desafiando o mundo. Bradavam os seus nomes verdadeiros para mostrar valentia.
Segundo consta, o apelido de Virgulino Ferreira da Silva, Lampião era por causa da rapidez com que ele atirava, dando a impressão de um lampião que se acendia.
Relação, em ordem alfabética, de nomes próprios e "nomes de guerra" de diversos cangaceiros, com base nas obras consultadas, citadas no final do texto:
Açucena (Laurindo Batista Gaia)
Alexandre Mourão
Ameaço
André Marinheiro (André Lopes de Sá - também assinava André Gomes de Sá)
Ângelo Umbuzeiro
Anjo Novo (Ângelo Carquejo)
Antão Godê (Antão Clemente Gadelha)
Antônio Batista Sobrinho
Antônio Bernardo
Antônio de Engracia
Antônio de Ó
Antônio de Sinhô Naro
Antônio do Gelo (Antônio Rosa Ventura)
Antônio Francisco da Silva
Antônio Mariano
Antônio Marinheiro (Antônio André de Sá)
Antônio Matilde (Antônio José Ferreira)
Antônio Peixe (João Rodrigues de Lima)
Antônio Pereira dos Santos
Antônio Porcino
Antônio Silvino (Manuel Batista de Morais)
Antônio Thomaz
Antônio Valério
Arvoredo (Hortêncio)
Asa Branca ou Ciço Costa (Cícero Costa Lacerda)
Atividade
Bagaço e posteriormente Meia Noite (Antônio Augusto Correia)
Balão (Guilherme Alves)
Baliza (cabra de Lampião)
Baliza (José Dedé, cabra de Sinhô Pereira)
Baliza (Manuel Batista Elifas, cabra de Antônio Silvino)
Bananeira
Barbosa
Barra Nova
Beija- Flor ou Biu (Artur José Gomes da Silva)
Bem-Te-Vi (Laurindo)
Benevides (Massilon Leite)
Benício (cabra de Lucas da Feira)
Bicheiro (cabra de Antônio Silvino)
Bimbão
Boa Vista
Boca Negra (Custódio, cabra de José do Telhado)
Bom Deveras (Manuel Marcolino)
Borboleta (cabra de Antônio Silvino)
Bronzeado (Manuel Ferreira)
Cabeleira (José Gomes)
Cabo Preto
Cacheado (Deodato, cabra de Sinhô Pereira)
Cachimbo (Manuel de Tal, cabra de Jesuíno Brilhante)
Café Chique (José Necão)
Caixa de Fósforo
Cajazeiras (cabra de Benevides)
Cajueiro (José Terto)
Canabrava (Antônio Felix)
Cansanção
Cariri (Joaquim, cabra de Cassimiro Honório)
Carrasco
Carta Branca ou Pedro Quelé (Pedro José Furtado)
Casa Velha ou Zé Piutá (José Bernardo)
Casca Grossa (Miguel Inácio dos Santos)
Cassimiro Honório
Chá Preto (Damásio José da Cruz)
Chico Caixão (Cornélio, cabra de Sinhô Pereira)
Chico Pereira (Francisco Pereira Dantas)
Chiquito (cabra de Luís do Triângulo)
Chocho (cabra de Luís do Triângulo)
Cindário (Jacinto Alves de Carvalho)
Cirilo Antão
Cirilo de Engrácia
Cirilo do Lagamar
Clementino Cordeiro de Morais
Clementino José Furtado Quelé
Cobra Preta
Cocada (Manuel Marinho)
Coco Verde (cabra de Antônio Silvino)
Coqueiro (João Cesário)
Coqueiro (Joaquim de Tal)
Corisco (Critino Gomes da Silva Cleto)
Cravo Roxo
Criança (cabra de Corisco)
Criança (cabra de Tibúrcio Santos)
Criança (José Francisco da Silva)
Dadá (Sérgia Ribeiro da Silva, mulher de Corisco)
Damião (cabra de Tibúrcio Santos)
Delegado (João Severiano, cabra de Jesuíno Brilhante)
Deus-te-guie
Devoção
Dô da Lagoa do Mato ou Seu Dô (Dativo Correia Cavalcanti)
Duque ou Duquinha (cabra de Antônio Silvino)
Elpídio Freire
Esperança (Antônio Ferreira da Silva, irmão de Lampião)
Faísca (cabra de Floro Gomes)
Ferrugem (Deco Batista)
Fiapo (Andrelino, cabra de Sinhô Pereira)
Firmino Miranda
Flaviano (cabra de Lucas da Feira)
Floro Gomes
Francisco Barbosa
Fura Moita (Firmino Paulino)
Gato (Amâncio Guedes de Farias, cabra de Antônio Silvino)
Gato (cabra de Sinhô Pereira)
Gato (José Pereira, cabra de Jesuíno Brilhante)
Gato (Sátiro de Tal, cabra de Lampião)
Gavião
Gitirana
Guerreiro (cabra de Corisco)
Inácio Nóbrega de Medeiros
Ioiô (Antônio Quelé, irmão de José Furtado Clementino Quelé, de Quintino Quelé e de Pedro Quelé - Carta Branca)
Jaçanã
Jacaré
Jandaia
Januário (cabra de Lucas da Feira)
Jararaca (José Leite de Santana)
Jesuíno Brilhante (Jesuíno Alves de Melo Calado)
Jiboião (Francisco, cabra de Sinhô Pereira)
Jitirana
João Branco (cabra de Cassimiro Honório)
João Brito (cabra de André Marinheiro)
João Cirino
João da Banda (João de Arruda Cordeiro)
João Dedé
João Mariano
João Nogueira Donato
João Vaqueiro (cabra de Tibúrcio Santos)
Joaquim (cabra de Lucas da Feira)
Joaquim Cariri
Joaquim Coqueiro
Joaquim Gomes (cabra de Vinte Dois)
Joaquim Mariano
Joaquim Marques
Joaquim Monteiro
José (cabra de Lucas da Feira)
José Bacalhau
José Baiano
José Baliza
José Barbosa
José Barbosa
José Bizarria (cabra de Luís do Triângulo)
José Côco (cabra de Benevides)
José da Umburana (José Alves de Carvalho)
José de Genoveva
José de Guida (José Alves de Lima)
José Dedé
José Marinheiro (José André de Sá)
José Melão
José Pedro
José Pequeno (cabra de André Marinheiro)
José Pequeno (cabra de Benevides)
José Pinheiro
José Prata
José Roque (cabra de Benevides)
José Sereno (Antônio Ribeiro)
José Valério (cabra de Tibúrcio Santos)
Jovino Cirino
Júlio Porto (cabra de Benevides)
Jurema (Inácio Nobre de Medeiros)
Jurema (Inácio Nóbrega de Medeiros)
Juriti (João Soares)
Labareda (Ângelo Roque da Silva)
Labareda (Pedro Francisco da Luz, cabra de Antônio Silvino)
Lampião (Virgulino Ferreira da Silva)
Latada (Raimundo Ângelo)
Lavandeira
Limoeiro
Lua Branca
Lucas da feira
Lucas das Piranhas
Luís Brilhante (cabra de Benevides)
Luís do Triângulo ou Luís da Cacimba Nova (Luís Pereira de Souza ou Luís Nunes de Souza)
Luís Padre (Luís Pereira da Silva Jacobina)
Luís Pedro (Luís Pedro Cordeiro)
Luís Sabino
Maçarico (Luís Macário)
Malícia (Luís Macário)
Mane Chiquim
Mansidão (Luís Mansidão)
Manuel Ângelo
Manuel Barbosa
Manuel Benedito
Manuel de Emília
Manuel de Nara (cabra de Antônio Silvino)
Manuel Isidoro da Cunha
Manuel Pajeú
Manuel Porcino
Manuel Prata
Manuel Santana
Manuel Toalha
Manuel Vaqueiro
Manuel Vítor da Silva ou Manuel Vítor Martins
Mão Foveira ou Serra d´Umã (Domingos de Souza)
Mão-de-Grelha (Marculino, cabra de Sinhô Pereira)
Marcula (Marculino do Juá)
Maria Bonita (Maria Déa de Oliveira)
Mariano (Mariano Laurindo Granja)
Marinheiros (irmãos André, Antônio e José)
Marreca (Marculino Pereira)
Mateus
Meia Noite (Antônio Augusto Correia)
Meia Noite (Vicente Feliciano de Lima)
Mel-com-terra (Benedito Valério)
Mergulhão (Constantino, cabra de Sinhô Pereira)
Mergulhão I (cabra de Lampião)
Mergulhão II ou Marguião (cabra de Lampião)
Meu Primo (Sátiro)
Miguel Feitosa
Miguel Praça
Mocinho Godê
Moderno (Virgínio)
Moeda
Moita Braba
Moitinha (Joaquim Brás)
Mormaço
Mourão (Pedro, cabra de Sinhô Pereira)
Navieiro (Deodato, cabra de Sinhô Pereira)
Neco Barbosa
Negro Tibúrcio (Tibúrcio Santos)
Nicolau (cabra de Lucas da Feira)
Padre (José Antônio)
Pancada (José Lino de Souza)
Passarinho
Pedro Fernandes
Pedro Miranda
Pedro Paulo
Pedro Porcino
Pedro Rocha
Pilão Deityado (Antonio Dino)
Pinga Fogo (cabra de Benvides)
Pintadinho (Manuel Lucas de Melo)
Pitombeira (Manuel Vitória)
Plínio (cabra de Sinhô Pereira)
Pontaria (Ricardo Neném)
Ponto Fino (Ezequel Ferreira da Silva ou Ezequiel Profeta dos Santos, irmão mais novo de Lampião)
Português (Francelino José Nunes)
Quinta-Feira
Quintino Quelé
Raimundo Agostinho
Raimundo Constantino
Raimundo Patrício
Raimundo Tabaqueiro
Rajado (João Davi)
Rajado (José Davi)
Reboliço
Relâmpago (cabra de Corisco)
Relâmpago (cabra de Lampião)
Relâmpago (José Felipe Carmo dos Santos)
Rio Branco (cabra de Corisco)
Rio Preto (Firmo José de Lima)
Rouxinol (José Nogueira Deodato)
Sabiá
Sabino (Sabino Gomes de Góis, também conhecido por Gomes de Melo e Barbosa de Melo e ainda Gore ou Goa)
Sabonete
Saracura
Sereno
Serra Branca (Joaquim José de Moura ou Joaquim de Moura Barbosa)
Sila (Ilda Ribeiro de Souza, mulher de José Sereno)
Sinhô Pereira ou Seu Rodrigues (Sebastião Pereira e Silva)
Suspeita (Orestes, cabra de Sinhô Pereira)
Tempestade (Antônio Felix)
Tempo Duro
Teotônio da Siliveira (sic) (cabra de Luís do Triângulo)
Terto Barbosa
Tiburtino
Toinho da Cachoeira (cabra de Luís do Triângulo)
Torquato (cabra de Luís do Triângulo)
Trovão
Ulisses Liberato de Alencar
Urso (Ursulino dos Santos)
Valderedo Ferreira
Vassoura (Livino Ferreira da Silva ou Livino Ferreira dos Santos ou Livino Ferreira de Souza, irmão de Lampião).
Velocidade (Pedro Pauferro da Silva)
Venâncio
Ventania (cabra de Antônio Silvino)
Vereda (cabra de Corisco)
Vicente de Marina
Vicente Moreira
Vinte Cinco (José Alves de Matos)
Vinte Dois (João Marculino)
Volta Seca (Antônio dos Santos)
Zé Baiano
Zé Sereno

FONTE: site nordeste.com

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Reflexos da Arte Mourisca na Estética da Indumentária dos Vaqueiros e Cangaceiros

SilPao-cab - vaquero-igreja de cabaceira (35).JPG
Nos anos 1920 e 1930 do século passado, muitos músicos e conjuntos musicais nordestinos, cantadores e artistas de palco, usavam os ícones estéticos de suas origens para se apresentar nos palcos do Rio de Janeiro. Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, emprestou a sua fama, prestígio e imagem para a consolidação da estética do vaqueiro, por meio do uso das vestimentas de couro nas suas apresentações, principalmente o gibão, o chapéu e as alpercatas. O filme de Lima Barreto (1906-1982), O Cangaceiro, realizado em 1953, ganhador do prêmio de “melhor filme de aventura” no Festival de Cannes, foi, durante muito tempo a vitrine de um mítico nordeste brasileiro, exótico, místico e messiânico. Falado através dos diálogos da autora de “O Quinze”, Rachel de Queirós, percorreu o mundo transformando a visão do cangaço marginal, dos bandoleiros nordestinos, em algo novo, de forte apelo estético, trazendo uma reflexão sobre temas sociais da cultura brasileira. Ganhou também o prêmio de “melhor trilha sonora” na espetacular interpretação de “Olê Mulher Rendeira” por Vanja Orico. Com produção da Vera Cruz, a Columbia Pictures colocou a película em mais de 80 países. Só na França o filme manteve-se em cartaz durante cinco anos.
SilPao-cab - vaquero-igreja de cabaceira (5).JPG
Formatava-se de vez a estética desta indumentária que até os dias de hoje inspira estilistas, designers, artistas e profissionais ligados às artes. Mais tarde o Cinema Novo trouxe impressionantes imagens, inspiradas nesta estética, que foi sua aliada para dar formato a um novo olhar sobre a poética, técnicas e abordagens cinematográficas na busca de uma linguagem brasileira. Somos sabedores da origem desta postura da indumentária: o contato do colonizador branco com o índio durante o avanço dos currais sertões adentro no nordeste brasileiro. Enfrentar a caatinga com toda a sua vegetação agressiva, o sol, as longas distâncias para pajear ou tanger o gado em busca de água e comida, fez com que o vaqueiro lançasse mão do material que tinha em abundância para vestir-se adequadamente para esses eventos de labuta diária. Vemos então verdadeiras “armaduras” de couro, conjuntos de gibão, peitoral, perneiras, luvas, jaleco, chapéu e alpercatas serem incorporados no cotidiano deste tipo étnico.
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As decorações e enfeites do gibão de couro despertam lembranças longínquas naqueles que os observa com mais atenção. São desenhos estilizados, como arabescos, feitos em altos e baixos relevos, por meio de peculiares técnicas, com pespontos manuais ou não, variação nas tonalidades dos couros e fechamentos com cordões. As perneiras cobrem as pernas partindo do pé e indo de encontro às virilhas onde são amarradas, deixando o quadril e as nádegas livres para a cavalgadura. Alguns modelos se apresentam trabalhados e reforçados com vieses e pespontos com linha grossa. As luvas protegem o dorso das mãos dos espinhos e deixam livres os dedos para melhor manuseio das chibatas e das rédeas. O chapéu fixa-se “enterrado” na cabeça como prolongamento desta. Serve até para beber água e comer. O colete ou jaleco é “double face”, feito em couro amaciado de carneiro, podendo ser utilizado em dias de festas ou nas noites frias com a lã em contato com o corpo.
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Já o cangaceiro, diferente na sua personalidade e atividades, recebeu outros acessórios como os bornais e bisacos, que eram bordados com linhas coloridas e enfeites metálicos, chapéu com aba virada, numa alusão e referência ao estilo Bonaparte, alpercatas de rabicho, meias, lenços e adereços de enfeite, cartucheiras, cintos, coldres. Esses acessórios cobriam as roupas de algodão grosso em tons caqui e azul, que raramente saiam do corpo por estar, o cangaceiro, sempre pronto para a retirada. A estética do cangaceiro tem um quê de medieval, que por si só lembra um pouco os detalhes das artes decorativas orientais. Quando observamos nas selas e nos acessórios de montaria os desenhos que lembram grafismos continuados, outros sinuosos e simétricos vêm-nos em mente os desenhos mouriscos de plantas e animais estilizados. Lembramos que em grande parte das artes do Oriente Próximo e dos países do norte da África e da Espanha invadida pelos árabes, por conta da religião e do misticismo, não era costume a representação iconográfica e figurativa de seres humanos e da natureza em peças artísticas, de decoração e da arquitetura, salvo em algumas situações. Só ao “Criador” era dada a tarefa de criar. Não ao homem. Artifício ou não, identificamos desenhos estilizados de silhuetas de animais, folhas, flores e perfis humanos nos desenhos destarte.
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Ao encontrarmos referências gráficas nas peças das indumentárias do vaqueiro e do cangaceiro nordestinos percebemos uma semelhança sutil, mas muito representativa do ponto de vista da transmigração dos símbolos e reinterpretação dos significados. Para entender basta girarmos o caleidoscópio da História e seguirmos o fio das conquistas islâmicas na Península Ibérica, principalmente na Espanha. Com a migração dos saberes e labores e as influências dos costumes e artes por todas as terras conquistadas e alhures, chegam além Gibraltar e do Atlântico, levando a memória do fazer e como fazer e se adequar. As artes ditas menores absorvem e se adequaram às estas mudanças.
A colonização do Brasil por Portugal explica as referências iconográficas encontradas nas manufaturas e no artesanato de couro até hoje. Basta adentrarmos nos Sertões e rincões nordestinos e observar a perpetuação do traço e das linhas de origem da arte árabe, da mesma forma que encontramos referências de outras culturas, como a Judaica, trazidas pelos Cristãos Novos e amalgamadas na massa multiétnica e cultural que é esta grande região do Brasil.

© obvious: http://lounge.obviousmag.org/meus_sete_instrumentos/2014/12/reflexos-da-arte-mourisca-na-estetica-da-indumentaria-dos-vaqueiros-e-cangaceiros-1.html#ixzz3NOo1fd9t 
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A Feira das Cabeças - A chegada das cabeças dos cangaceiros em Santana de Ipanema -Alagoas






FEIRA DE CABEÇAS -- (A chegada das cabeças em Santana do Ipanema-AL)
Por: Aurélio Buarque de Holanda(*)..............SÉRIE ( Grandes artigos )
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De latas de querosene mãos negras de um soldado retiram cabeças humanas. O espetáculo é de arrepiar. Mas a multidão, inquieta, sôfrega, num delírio paredes-meias com a inconsciência, procura apenas alimento à curiosidade. O indivíduo se anula. Um desejo único, um único pensamento, impulsa o bando autômato. Não há lugar para a reflexão. Naquele meio deve de haver almas sensíveis, espíritos profundamente religiosos, que a ânsia de contemplar a cena macabra leva, entretanto, a esquecer que essas cabeças de gente repousam, deformadas e fétidas, nos degraus da calçada de uma igreja.
Cinco e meia da tarde. Baixa um crepúsculo temporão sobre Santana do Ipanema, e a lua crescente, acompanhada da primeira estrela, surge, como espectador das torrinhas, para testemunhar o episódio: a ruidosa agitação de massas que se comprimem, se espremem, quase se trituram, ofegando, suando, praguejando, para obter localidade cômica, próximo do palco.
Desenrola-se o drama. O trágico de confunde com o grotesco. Quase nos espanta que não haja palmas. Em todo caso, a satisfação da assistência traduz-se por alguns risos mal abafados e comentários algo picantes, em face do grotesco. O trágico, porém não arranca lágrimas. Os lenços são levados ao nariz: nenhum aos olhos. A multidão agita-se, freme, sofre, goza, delira. E as cabeças vão saindo, fétidas, deformadas, das latas de querosene - as urnas funerárias -, onde o álcool e o sal as conservam, e conservam mal. Saem suspensas pelos cabelos, que, de enormes, nem sempre permitem, ao primeiro relance, distinguir bem os sexos. Lampião, Maria Bonita, Enedina, Luiz Pedro, Quinta-Feira, Cajarana, Diferente, Caixa-de-Fósforo, Elétrico Mergulhão...
- As cabeças!
- Quero ver as cabeças!
Há uma desnorteante espontaneidade nessas manifestações.
- As cabeças. Não falam de outra coisa. Nada mais interessa. As cabeças.
- Quem é Lampião?
Virgulino ocupa um degrau, ao lado de Maria Bonita. Sempre juntos, os dois.
- Aquela é que é Maria Bonita? Não vejo beleza...
O soldado exibe as cabeças, todas, apresenta-as ao público insaciável, por vezes uma em cada mão. Incrível expressão de indiferença nessa fisionomia parada. Os heróis de tantas sinistras façanhas agora desempenham, sem protesto, o papel de S. João Batista...
Sujeitos mais afastados reclamam:
- Suspende mais! Não estou vendo, não!
- Tire esse chapéu, meu senhor! - grita irritada uma mulher.
O homem atende.
- Agora, sim.
A pálpebra direita de Lampião é levantada, e o olho cego aparece, como elemento de prova.
Velhos conhecidos do cangaceiro fitam-lhe na cabeça olhos arregalados, num esforço de comprovação de quem quer ver para crer.
- É ele mesmo. Só acredito porque estou vendo.
Houve-se de vez em quando:
- Mataram Lampião... Parece mentira!
Virgulino Ferreira, o rei do cangaço, o "interventor do sertão", o chefe supremo dos fora-da-lei, o cabra invencível, de corpo fechado, conhecedor de orações fortes, vitorioso em tantos recontros, - Virgulino Ferreira, o Capitão Lampião, não pode morrer.
E irrompe de várias bocas:
- Parece Mentira!
No entanto é Lampião que se acha ali, ao lado de Maria Bonita, junto de companheiros seus, unidos todos, numa solidariedade que ultrapassou as fronteiras da vida. É Lampião, microcéfalo, barba rala, e semblante quase doce, que parece haver se transformado para uma reconciliação póstuma com as populações que vivo flagelara.
Fragmentos de ramos, caídos pelas estradas, durante a viagem, a caminhão, entre Piranhas e Santana do Ipanema, enfeitam melancolicamente os cabelos de alguns desses atores mudos. Modestas coroas mortuárias oferecidas pela natureza àqueles cuja existência decorreu quase toda em contato com os vegetais - escondendo-se nas moitas, varando caatingas, repousando à sombra dos juazeiros, matando a sede nos frutos rubros dos mandacarus.
Fotógrafos - profissionais e amadores - batem chapas, apressados, do povo, e dos pedaços humanos expostos na feira horrenda. Feira que , por sinal, começou ao terminar a outra, onde havia a carne-de-sol, o requeijão de três mil-reis o quilo, com o leite revendo, a boa manteiga de quatro mil reis, as pinhas doces, abrindo-se de maduras, a dois mil-reis o cento, e as alpercatas sertanejas, de vários tipos e vários preços.
Ao olho frio das codaques interessa menos a multidão viva do que os restos mortais em exposição. E, entre estes, os do casal Lampião e Maria Bonita são os mais insistentemente forçados. Sobretudo o primeiro.
O espetáculo é inédito: cumpre eternizá-lo, em flagrantes expressivos. Um dos repórteres posa espetacularmente para o retratista, segurando pelas melenas desgrenhadas os restos de Lampião. Original. Um furo para "A Noite Ilustrada".
Lembro-me então do comentário que ouço desde as primeiras horas deste sábado festivo: -"Agora todo o mundo quer ver Lampião, quer tirar retrato dele, quer pegar na cabeça...Agora..."
Há, com efeito, indivíduos que desejam tocar, que quase cheiram a cabeça, como ansiosos de confirmação, por outros sentidos, da realidade oferecida pela vista.
Desce a noite, imperceptível. A afluência é cada vez maior. Pessoas do interior do município e de vários municípios próximos, de Alagoas e Pernambuco, esperavam desde sexta-feira esses momentos de vibração. Os dois hoteis da cidade, literalmente entupidos Cheias as residências particulares - do juiz de direito, do prefeito, do promotor, de amigos dessas autoridades. Para muitos, o meio da rua.
Entre a massa rumorosa e densa não consigo descobrir uma só fisionomia que se contraia de horror, boca donde saía uma expressão, ainda que vaga, de espanto. Nada. Mocinhas franzinas, romanescas, acostumadas talvez a ensopar lenços com as desgraças dos romances cor-de-rosas, assistem à cena com uma calma de cirurgião calejado no ofício. Crianças erguidas nos braços maternos espicham o pescoço buscando romper a onda de cabeças vivas e deliciar os olhos castos na contemplação das cabeças mortas. E as mães apontam:
- É ali, meu filho. Está vendo?
Alguns trocam impressões;
- Eu pensava que ficasse nervoso. Mas é tolice. Não tem que ver uma porção de máscaras.
- É isso mesmo.
Os últimos foguetes estrugem nos ares. Há discursos. Falam militares, inclusive o chefe da tropa vitoriosa em Angico. Evoca-se a dura vida das caatingas, em rápidas e rudes pinceladas. O deserto. As noites ermas, escuras, que os soldados às vezes iluminam e povoam com as histórias de amor por eles sonhadas - apenas sonhadas... Os passos cautelosos, mal seguros sobre os garranchos, para evitar denunciadores estalidos, quando há perigo iminente. Marchas batidas sob o sol de estio, em meio da caatinga enfezada e resseca, e da outra vegetação, mais escassa, que não raro brota da pedra e forma ilhotas verdes no pardo reinante: o mandacaru, a coroa-de-frade, a macambira, a palma, o rabo-de-bugio, facheiro, com o seu estranho feitio de candelabro. A contínua expectativa de ataque tirando o sono, aguçando os sentidos.
O sino toca a ave-maria. Dilui-se-lhe a voz no sussurro espesso da multidão curiosa, nos acentos fortes do orador, que, terminando, refere a vitória contra Lampião, irrecusavelmente comprovada pelas cabeças ali expostas.
Os braços da cruz da igrejinha recortam-se, negros, na claridade tíbia do luar; e na aragem que difunde as últimas vibrações morrediças do sino vem um cheiro mais ativo da decomposição dos restos humanos.
Todos vivem agora, como desde o começo do dia, para o prazer do espetáculo. As cabeças!
A noite fecha-se. Em horas assim, seriam menos ferozes os pensamentos de Lampião. O seu olhar se voltaria enternecido para Maria Bonita.
Que será feito dos corpos dissociados dessas cabeças? O rosto de Maria Bonita, esbranquiçado a trechos por lhe haver caído a epiderme, está sinistro.
Onde andará o corpo da amada de Lampião? A cara arrepiadora, que mal entrevejo à luz pobre do crescente, não me responde nada.
E Lampião? Sereno, grave, trágico. O olho cego, velado pela pálpebra, fita-me. (1938).
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(*) Autor do mais importante dicionário da língua portuguesa publicado no Brasil neste século. Texto do livro esgotado "O chapéu de meu pai, editora Brasília, 1974.
Fonte original:
Diário Oficial
Estado de Pernambuco
Ano IX
Julho de 1995
Fonte que divulgou a matéria: Blogs Lampião Aceso, e Mendes e Mendes
Foto das cabeças: FOTOS DAS CABEÇAS DOS CANGACEIROS EXPOSTAS EM SANTANA DO IPANEMA / AL
Fonte: Livro " Lampião e as Cabeças Cortadas, pg 204, dos autores Antonio Amaury e Luiz Rubens"

sexta-feira, 26 de dezembro de 2014

Maria Bonita é inspiração de moda para estilistas contemporâneos






Maria Bonita, companheira do Lampião e umas das primeiras mulheres a participar de um grupo de cangaceiros, era muito valente, até mesmo violenta, e encarava seu temido parceiro sem medo. Ela e outras mulheres foram responsáveis por quebrar barreiras no cangaço e acabaram ocupando espaço e gerando mudanças no mundo tão bruto e masculino. Levaram conforto para os homens. Mantiveram-se femininas, companheiras e, ao mesmo tempo, ajudavam naquela vida nômade do cangaço.
As cangaceiras quebraram regras da época ao usarem vestidos acima do joelho, coisa impensável. Maria Bonita, em especial, caracterizava-se pelo uso exagerado de fivelas  coloridas no cabelo, adornos em ouro e o lenço de seda amarrado no pescoço. Ela influenciou e ainda influencia na moda brasileira.
Estilistas brasileiros como Alexandre Herchcovitch, Amir Slama, Zuzu Angel e Arnaldo Ventura fazem uso de influências da moda do cangaço de Lampião e Maria Bonita em suas produções. O emprego de cores terrosas e fibras sertanejas é o que mais aparece em suas coleções, além de utilizarem chapéus, joias, artigos de couro, signos etc. inspirados na cultura da época. Ronaldo Fraga, também, recentemente criou uma coleção inspirada no cangaço.